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terça-feira, 20 de setembro de 2011

JOSÉ A. LUTZENBERGER



         " A verdadeira, a mais profunda espiritualidade consiste em sentir-nos parte integrante deste maravilhoso e misterioso processo que caracteriza GAIA nosso planeta vivo: a fantástica sinfonia da evolução orgânica que nos deu origem junto com milhões de outras espécies. É sentir-nos responsáveis pela sua continuação e desdobramento."
                                                         José  A.Lutzenberger
                                                                                                                                                                                                                                                                                      

          Nascido em Porto Alegre, em 17/12/1926, José A. Lutzenberger formou-se engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1950 e fez pós-graduação em ciência do solo na Lousiana State University, 1951/2. Após trabalhar até 1957 em empresas de adubos químicos no Rio Grande do Sul, foi para a Alemanha trabalhar na BASF, empresa multinacional em química agrícola. Em dezembro de 1970, pediu demissão por sua visão ecológica estar em desacordo com as práticas da agro-química. Esteve sediado na Alemanha, Venezuela e Marrocos, trabalhando como executivo e assessor técnico nos países do norte da América do Sul e Caraíbas, na África do Norte, Espanha e Canárias.
          Ao constatar os estragos causados pelos agrotóxicos na agricultura brasileira, assim como a devastação ambiental em geral, ajudou a fundar um movimento ambiental militante, a AGAPAN, Associação Gaúcha de Proteção Ambiental.

          Tornou-se conhecido mundialmente,  em intensiva atividade de palestras e participação em movimentos na Europa, América do Norte e do Sul, Ásia e África. Dentro desse contexto, preocupava-se, além disso, com energias limpas, renováveis e todo o panorama de tecnologias brandas ou suaves, as quais são ecologicamente sustentáveis e socialmente desejáveis. Fundamental para ele, era a conscientização para uma visão naturalista com ética holística, não antropocêntrica, também chamada “ecologia profunda”. 
          Lutzenberger participou intensivamente da luta contra o Banco Mundial em Rondônia, onde o Projeto Polo Noroeste causou tremenda devastação e desestruturação social. Nunca interrompeu a luta contra os agrotóxicos, participou, mais recentemente, na contestação dos transgênicos na agricultura e lutou contra a marginalização sistemática dos camponeses no mundo inteiro. Foi Secretário Especial do Meio Ambiente em Brasília, durante o governo do Presidente Fernando Collor, no período de março de 1990 até meados de 1992, quando se demitiu do cargo, desiludido com a burocracia e os jogos pela disputa do poder. Como empresário fundou, em 1979, a empresa “VIDA produtos e serviços em desenvolvimento ecológico” que emprega umas cem pessoas e que faz consultorias e empreitadas em engenharia sanitária e reciclagem de resíduos industriais, jardins e paisagismo.

         Fundação Gaia   
                       
             Em 1987, criou a Fundação GAIA, para promover a consciência ecológica e desenvolvimento sustentável. Localizada em Pantano Grande (RS), a fundação atua na área de educação ambiental e na promoção de tecnologias socialmente compatíveis, tais como a agricultura regenerativa (ecológica), manejo sustentável dos recursos naturais, medicina natural, produção descentralizada de energia e saneamento alternativo.
            A sede rural leva o nome de Rincão Gaia, área de 30 hectares situada sobre uma antiga jazida de basalto, e que se tornou exemplo de recuperação de áreas degradadas. O lugar é habitado por diversas espécies silvestres como a jaçanã, o martim-pescador, o ratão-do-banhado, a lontra, a coruja-das-torres, e outras espécies animais. Além disso, lá funciona o centro de educação ambiental e de divulgação da agricultura regenerativa.
           Lutzenberger faleceu em 14 de maio de 2002, com 75 anos de idade. Foi sepultado do jeito que sempre desejou: nu, envolto em um lençol de linho, sem caixão, ou seja, sem deixar impactos ao ambiente, de forma coerente com sua vida. Seu sepulcro está próximo de uma árvore, em um bosque do Rincão Gaia, em Pantano Grande.

                                              

                                                                        
fontes: http://www.fgaia.org.br/    acesso em 20/9/11      
                       www.wikipedia.org   acesso em 20/9/11